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Programa Pescando na Beira do Rio

1994

O Nascimento do Beira do Rio

 Um rio pedindo socorro

No início dos anos 90, o Rio Caratinga enfrentava um grave processo de degradação. Pouca água corria pelo leito, enquanto esgoto doméstico e resíduos urbanos comprometiam sua sobrevivência.

Foi nesse cenário que nasceu o programa de televisão Pescando na Beira do Rio, apresentado pelo ambientalista Pedro Paulo pela TV Sistec, afiliada à TV Cultura Minas Gerais.

Mais do que um programa de pesca, o Beira do Rio tinha uma missão: despertar a população para a importância de preservar seus recursos naturais.

“O objetivo era fazer as pessoas compararem o rio que tinham diante dos olhos com aquele que existia em suas memórias.”

Um novo olhar para o meio ambiente

um novo olhar para a questão ambiental

Com exibição semanal, o programa rapidamente conquistou espaço entre os telespectadores da região.

As reportagens mostravam que o Rio Caratinga ainda possuía potencial para se recuperar e cumpria um papel fundamental para a vida da cidade.

Ao mesmo tempo, o programa ampliava seus horizontes, levando ao público imagens de importantes rios brasileiros, como o São Francisco, o Rio Grande, o Rio das Velhas e o Rio Doce.

A defesa dos peixes e da pesca sustentável

em defesa da pescaria sustentável
Em defesa dos peixes

Preocupada com os impactos da pesca predatória, a equipe iniciou uma campanha em defesa da preservação dos peixes e da prática do “pesque e solte”.

A iniciativa ajudou a popularizar uma modalidade que mais tarde seria conhecida como pesca esportiva, conciliando lazer, conscientização ambiental e preservação das espécies.

🎣 Destaque

“Pescar não precisava significar matar. Era possível viver a emoção da pesca e devolver a vida ao rio.”

O Pantanal e a descoberta de Bonito

Viagens para o Pantanal

O Beira do Rio passou a organizar viagens para o Pantanal, levando moradores do Leste de Minas Gerais a conhecer uma das maiores riquezas naturais do Brasil.

Durante essas expedições, a equipe conheceu Bonito, no Mato Grosso do Sul, ainda pouco conhecido nacionalmente.

As águas cristalinas, a abundância de peixes e a preocupação com a conservação impressionaram os visitantes e transformaram a cidade em um dos destinos divulgados pelo programa.

📊 Números

  • Mais de 500 turistas transportados
  • Centenas de pescadores conscientizados
  • Participação no desenvolvimento do turismo sustentável da região

Amigos do Rio Caratinga

amigos do rio Caratinga

As ações ambientais promovidas pelo programa começaram a reunir voluntários, estudantes e famílias.

O movimento cresceu até dar origem à Associação dos Amigos do Beira do Rio, entidade que passou a atuar na defesa dos recursos hídricos e na mobilização social em favor do Rio Caratinga.

Esse grupo também desempenharia papel importante na futura construção do Comitê da Bacia do Rio Caratinga.

A voz da preservação

campanhas mobilização
piracema

O programa tornou-se um defensor da piracema, estimulando a proteção dos períodos de reprodução dos peixes.

Ao mesmo tempo, incentivou alternativas sustentáveis para os produtores rurais, como a piscicultura e a criação de pesque-pagues, unindo geração de renda, lazer e conservação ambiental.

🌱 Destaque

“Preservar não era impedir o desenvolvimento. Era encontrar novas formas de crescer sem destruir.”

Além das fronteiras

Enquanto ajudava a transformar a realidade local, o Beira do Rio também levava seus telespectadores para conhecer experiências ambientais em outras regiões do Brasil e do mundo.

O programa gravou reportagens na Itália, nos Estados Unidos, em Fernando de Noronha e em diversas bacias hidrográficas brasileiras, sempre trazendo novas referências para a região.

O legado

equipe reunida

Ao longo de sua trajetória, o Beira do Rio exibiu mais de 700 programas, mobilizou milhares de pessoas e ajudou a consolidar uma nova consciência ambiental na região.

No início dos anos 2000, com a chegada da jornalista Zaira de Andrade Paiva, o programa ganhou novos parceiros e ampliou sua atuação.

em defesa da pescaria sustentável

Mais tarde, os frutos plantados pelo Beira do Rio dariam origem a novos projetos, entre eles o Clube Capixaba, que seguiria levando adiante o trabalho de educação ambiental, mobilização social e valorização dos recursos naturais.

 

Logo Clube Capixaba colorido

1996

Pacto pelo Meio Ambiente

pacto pelo meio ambiente

O programa Pescando na Beira do Rio começou a perceber que seus parceiros estavam dispostos a ir muito além de apenas assistir ao programa. Com esse pensamento, reunindo diversas pessoas e instituições da sociedade, foi possível construir um Pacto Municipal pelo Meio Ambiente da cidade de Caratinga.

O principal objetivo do pacto era enxergar, de forma coletiva, todos os problemas relacionados às questões ambientais que estavam sendo negligenciadas, como:

lixo;

esgoto;

desmatamento;

queimadas;

poluição dos rios;

uso inadequado da agricultura;

aplicação indiscriminada de produtos químicos nas lavouras de café;

construções em áreas destinadas à preservação ambiental.

Entre as instituições que aderiram ao pacto estavam:

Programa Pescando na Beira do Rio;

IEF;

Prefeitura Municipal de Caratinga;

Estação Biológica de Caratinga;

Polícia Florestal de Minas Gerais;

Promotoria Pública;

6ª Superintendência Regional de Ensino;

Sindicato Rural de Caratinga;

FUNEC;

EPEP;

Faculdade de Leitões;

EMATER;

COPASA;

CEMIG;

IMA;

ACIC — Associação Comercial de Caratinga;

CDL;

Clubes de serviço, como Orbis, Lions, Rotary e lojas maçônicas;

Sindicato dos Trabalhadores Rurais;

Câmara Municipal de Caratinga;

CODEMA — Conselho de Defesa do Meio Ambiente de Caratinga.

Coube à equipe Beira do Rio acompanhar e divulgar, através da televisão e do programa, as ações desenvolvidas pelo pacto.

Além disso, a equipe produziu uma revista infantil para ser distribuída nas escolas urbanas durante palestras e ações educativas. A revista trazia em sua capa a mensagem: “SOS Rio Caratinga — O Rio Caratinga pede socorro.”

1997

FECAP

A equipe do Beira do Rio, por estar diretamente ligada a um veículo de comunicação, começou a perceber a expansão agrícola da cafeicultura na região e a grande quantidade de produtos químicos utilizados como fertilizantes e defensivos agrícolas nas lavouras. Ao mesmo tempo, muitas nascentes estavam sendo desmatadas para o plantio de café.

Também foi observado que outras regiões produtoras de café já avançavam através de novas técnicas e inovações no setor cafeeiro, buscando práticas mais sustentáveis e preocupadas com as questões ambientais.

Diante dessa realidade, os parceiros Coopercafé, Credcooper, ACIC — Associação Comercial de Caratinga —, Grupo Sistec e o programa Pescando na Beira do Rio decidiram realizar na região um evento com esse propósito, acrescentando ainda a geração de renda para o produtor rural e a melhoria da qualidade do café.

Com essa parceria nasceu a FECAP — Feira do Cafeicultor e do Produtor Rural da Região de Caratinga —, uma feira comercial voltada para o café, mas com um olhar atento às questões ambientais, fortalecendo o pacto ambiental e ampliando as ações para outros municípios ao redor de Caratinga.

A FECAP aconteceu em formato bienal:

  • 1997 — primeira edição, realizada na Praça da Estação;
  • 1999 — segunda edição;
  • 2001 — terceira edição;
  • 2004 — última edição.

A FECAP não apenas trouxe para a região uma mudança no comportamento do produtor de café, mas também promoveu novas formas de consumo e incentivou boas práticas ambientais.

A partir desse evento e da experiência adquirida ao longo de suas edições, a equipe ganhou ainda mais força com a chegada de importantes parceiros, como Wask de Moraes, o produtor rural Joaquim Marques e o comerciante Zenildo.

O crescimento da equipe abriu novas perspectivas e portas para a realização de outros projetos e eventos na região.

1997

Associação dos Amigos do Rio Caratinga

Associação dos Amigos Beira do RioO programa Beira do Rio, após a mobilização realizada para a 1ª FECAP — o maior evento do setor agrícola já realizado na região — acabou se fortalecendo e conquistando muitos novos amigos preocupados com as questões ambientais, em especial com o Rio Caratinga.

Com esses novos apoios, nasceu a Associação dos Amigos do Rio Caratinga, inicialmente formada por um grupo de amigos pescadores e amantes da natureza.

A ideia inicial era criar uma associação voltada para atender às demandas relacionadas aos recursos hídricos no entorno da cidade de Caratinga.

O primeiro grande desafio da associação foi mostrar à sociedade o quanto o Rio Caratinga estava reduzindo seu volume de água e o quanto crescia o volume de esgoto lançado no rio.

Outro grande desafio era cobrar da sociedade e do poder público respostas para esses questionamentos, além de discutir o que poderia ser feito para mitigar os impactos que já saltavam aos olhos.

Nesse mesmo ano de nascimento da Associação dos Amigos do Beira do Rio, o Congresso Nacional aprovou a Lei das Águas, a Lei nº 9.433. Era uma lei importante e inovadora, porém complexa e de difícil implementação. Ainda assim, de certa forma, ela fortalecia as ações realizadas pelos Amigos do Beira do Rio.

Mas era preciso mais. E esse “mais” estava nas entrelinhas da lei, que tratava dos corpos d’água, das bacias hidrográficas, dos afluentes e da criação dos Comitês de Bacias Hidrográficas.

A associação, já constituída como instituição, encontrou apoio na cidade de Ipatinga, junto ao Escritório da Bacia do Rio Doce, mantido através do Projeto de Ações de Impacto para Revitalização dos Recursos Hídricos da Bacia do Rio Doce, subsidiado pela Secretaria Nacional de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, tendo à frente o coordenador Marco Antônio Fernandes.

Através da aproximação entre a Associação dos Amigos do Rio Caratinga e o Escritório da Bacia do Rio Doce, foi possível compreender melhor as ações e as demandas previstas na Lei das Águas. Diversos cursos e capacitações passaram a ser oferecidos pelo Escritório do Rio Doce, fortalecendo o movimento ambiental na região.

1998

Encontro Regional de Meio Ambiente

Para compreender melhor o que contemplava a Lei 9.433 e quais eram os papéis da sociedade civil na preservação dos recursos hídricos, a Associação dos Amigos do Beira do Rio, em parceria com os componentes do Pacto Municipal de Caratinga e com a orientação do Escritório da Bacia do Rio Doce, na pessoa de Marco Antônio Fernandes, além da coordenação do engenheiro e coordenador do IEF, Alcides Leite de Matos, criou o primeiro Encontro Regional de Meio Ambiente da região de Caratinga, realizado também nos anos seguintes até 2003.

Ao todo, foram realizados seis eventos:

1º Seminário de Desenvolvimento Sustentável da Região de Caratinga

O destaque ficou para a programação técnica, com as palestras:

Manejo ecológico do solo — Dr. Henrique Lobo;
Papel das unidades de conservação na preservação da biodiversidade — Eduardo Marcelino Veado;
Administração ambiental — Eri Pimenta.

1998 seminário regional do meio ambiente

2º Seminário de Desenvolvimento Sustentável de Caratinga e Região

Tema: “Meio Ambiente e Saúde”.

Os temas das discussões e palestras concentraram-se na água, no esgoto e nas doenças transmissíveis causadas pela falta de tratamento da água.

1988 segundo encontro regional de meio ambiente

3º Seminário de Desenvolvimento Sustentável de Caratinga e Região

Tema: “Meio Ambiente e Cidadania”.

O destaque do ano de 2000 foi Caratinga sediar o primeiro Encontro dos Comitês de Bacias Hidrográficas de Minas Gerais e o primeiro Encontro de Comandantes de Grupos da Polícia Florestal do Leste Mineiro.

3 terceiro encontro regional de meio ambiente

4º Seminário de Desenvolvimento Sustentável de Caratinga e Região

Tema: “Meio Ambiente, Água e Saúde”.

No ano de 2001, o evento cresceu e passou a incluir uma série de encontros:

 

1998 4 encontro regional de meio ambiente

Encontro das Mulheres Rurais;
Encontro da Agricultura Familiar;
Encontro dos Alunos do Ensino Superior;
Encontro de prefeitos, vereadores, secretários municipais, professores e diretores de escolas da Bacia do Rio Caratinga;
Encontro Cultural;
Encontro de Ambientalistas de Caratinga e Região;
Encontro do Colegiado do Comitê do Rio Caratinga;
Encontro das Lideranças Ambientais da Bacia do Rio Doce.

Também foi realizado um concurso com os trabalhos acadêmicos apresentados durante o quarto seminário.

Outra novidade do evento foi a criação dos painéis educativos:

Doenças veiculadas através dos recursos hídricos na Bacia Hidrográfica do Rio Caratinga — apresentado por Vera Lúcia Martins, mestranda da Universidade de Viçosa;
A importância da Estação Biológica de Caratinga para os monos-carvoeiros — Eduardo Marcelino Veado;
Proposta de criação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce e sua importância para a bacia — Movimento Pró-Rio Doce, Paulo Célio Figueiredo;
SOS Mata Atlântica na zona rural de São Paulo — coordenadora Malu Ribeiro;
Engenheiro Caldas à procura de água: uma cidade que vive com a escassez hídrica — ONG 500 Anos, Giovane Ribeiro;
Internet e sua força na preservação ambiental — João Lages Neto.

5º Seminário de Desenvolvimento Sustentável de Caratinga e Região

Tema: “Agricultura Sustentável e Turismo Rural”.

Neste seminário, a agenda cresceu ainda mais e o evento passou a ter duração de quatro dias — terça, quarta, quinta e sexta-feira — para comportar toda a programação preparada ao longo do ano.

5 terceiro encontro regional de meio ambiente

6º Seminário de Desenvolvimento Sustentável de Caratinga e Região

Tema: “Agenda 21: Construindo o Nosso Futuro”.

Através desses eventos realizados pela equipe Beira do Rio e pelos parceiros do pacto, a região de Caratinga começou a se destacar nas questões ambientais. A partir disso, surgiu a necessidade de ampliar a Associação dos Amigos do Rio Caratinga para uma instituição que pudesse atuar em um âmbito ainda maior.

6 terceiro encontro regional de meio ambiente
1998
1998

Encontro Regional de Meio Ambiente

Para compreender melhor o que contemplava a Lei 9.433 e quais eram os papéis da sociedade civil na preservação dos recursos hídricos, a Associação dos Amigos do Beira do Rio, em parceria com os componentes do Pacto Municipal de Caratinga e com a orientação do Escritório da Bacia do Rio Doce, na pessoa de Marco Antônio Fernandes, além da coordenação do engenheiro e coordenador do IEF, Alcides Leite de Matos, criou o primeiro Encontro Regional de Meio Ambiente da região de Caratinga, realizado também nos anos seguintes até 2003.

Ao todo, foram realizados seis eventos:


1º Seminário de Desenvolvimento Sustentável da Região de Caratinga

O destaque ficou para a programação técnica, com as palestras:

1998 seminário regional do meio ambiente

  • Manejo ecológico do solo — Dr. Henrique Lobo;
  • Papel das unidades de conservação na preservação da biodiversidade — Eduardo Marcelino Veado;
  • Administração ambiental — Eri Pimenta.

2º Seminário de Desenvolvimento Sustentável de Caratinga e Região
Tema: “Meio Ambiente e Saúde”.

Os temas das discussões e palestras concentraram-se na água, no esgoto e nas doenças transmissíveis causadas pela falta de tratamento da água.

3º Seminário de Desenvolvimento Sustentável de Caratinga e Região
Tema: “Meio Ambiente e Cidadania”.

O destaque do ano de 2000 foi Caratinga sediar o primeiro Encontro dos Comitês de Bacias Hidrográficas de Minas Gerais e o primeiro Encontro de Comandantes de Grupos da Polícia Florestal do Leste Mineiro.

4º Seminário de Desenvolvimento Sustentável de Caratinga e Região
Tema: “Meio Ambiente, Água e Saúde”.

No ano de 2001, o evento cresceu e passou a incluir uma série de encontros:

  • Encontro das Mulheres Rurais;
  • Encontro da Agricultura Familiar;
  • Encontro dos Alunos do Ensino Superior;
  • Encontro de prefeitos, vereadores, secretários municipais, professores e diretores de escolas da Bacia do Rio Caratinga;
  • Encontro Cultural;
  • Encontro de Ambientalistas de Caratinga e Região;
  • Encontro do Colegiado do Comitê do Rio Caratinga;
  • Encontro das Lideranças Ambientais da Bacia do Rio Doce.

Também foi realizado um concurso com os trabalhos acadêmicos apresentados durante o quarto seminário.

Outra novidade do evento foi a criação dos painéis educativos:

  • Doenças veiculadas através dos recursos hídricos na Bacia Hidrográfica do Rio Caratinga — apresentado por Vera Lúcia Martins, mestranda da Universidade de Viçosa;
  • A importância da Estação Biológica de Caratinga para os monos-carvoeiros — Eduardo Marcelino Veado;
  • Proposta de criação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce e sua importância para a bacia — Movimento Pró-Rio Doce, Paulo Célio Figueiredo;
  • SOS Mata Atlântica na zona rural de São Paulo — coordenadora Malu Ribeiro;
  • Engenheiro Caldas à procura de água: uma cidade que vive com a escassez hídrica — ONG 500 Anos, Giovane Ribeiro;
  • Internet e sua força na preservação ambiental — João Lages Neto.

5º Seminário de Desenvolvimento Sustentável de Caratinga e Região
Tema: “Agricultura Sustentável e Turismo Rural”.

Neste seminário, a agenda cresceu ainda mais e o evento passou a ter duração de quatro dias — terça, quarta, quinta e sexta-feira — para comportar toda a programação preparada ao longo do ano.

6º Seminário de Desenvolvimento Sustentável de Caratinga e Região
Tema: “Agenda 21: Construindo o Nosso Futuro”.

Através desses eventos realizados pela equipe Beira do Rio e pelos parceiros do pacto, a região de Caratinga começou a se destacar nas questões ambientais. A partir disso, surgiu a necessidade de ampliar a Associação dos Amigos do Rio Caratinga para uma instituição que pudesse atuar em um âmbito ainda maior.

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1997
1997

Associação dos Amigos do Rio Caratinga

O programa Beira do Rio, após a mobilização realizada para a 1ª FECAP — o maior evento do setor agrícola já realizado na região — acabou se fortalecendo e conquistando muitos novos amigos preocupados com as questões ambientais, em especial com o Rio Caratinga.

Com esses novos apoios, nasceu a Associação dos Amigos do Rio Caratinga, inicialmente formada por um grupo de amigos pescadores e amantes da natureza.

A ideia inicial era criar uma associação voltada para atender às demandas relacionadas aos recursos hídricos no entorno da cidade de Caratinga.

O primeiro grande desafio da associação foi mostrar à sociedade o quanto o Rio Caratinga estava reduzindo seu volume de água e o quanto crescia o volume de esgoto lançado no rio.

Outro grande desafio era cobrar da sociedade e do poder público respostas para esses questionamentos, além de discutir o que poderia ser feito para mitigar os impactos que já saltavam aos olhos.

Nesse mesmo ano de nascimento da Associação dos Amigos do Beira do Rio, o Congresso Nacional aprovou a Lei das Águas, a Lei nº 9.433. Era uma lei importante e inovadora, porém complexa e de difícil implementação. Ainda assim, de certa forma, ela fortalecia as ações realizadas pelos Amigos do Beira do Rio.

Mas era preciso mais. E esse “mais” estava nas entrelinhas da lei, que tratava dos corpos d’água, das bacias hidrográficas, dos afluentes e da criação dos Comitês de Bacias Hidrográficas.

A associação, já constituída como instituição, encontrou apoio na cidade de Ipatinga, junto ao Escritório da Bacia do Rio Doce, mantido através do Projeto de Ações de Impacto para Revitalização dos Recursos Hídricos da Bacia do Rio Doce, subsidiado pela Secretaria Nacional de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, tendo à frente o coordenador Marco Antônio Fernandes.

Através da aproximação entre a Associação dos Amigos do Rio Caratinga e o Escritório da Bacia do Rio Doce, foi possível compreender melhor as ações e as demandas previstas na Lei das Águas. Diversos cursos e capacitações passaram a ser oferecidos pelo Escritório do Rio Doce, fortalecendo o movimento ambiental na região.

1997
1997

FECAP

A equipe do Beira do Rio, por estar diretamente ligada a um veículo de comunicação, começou a perceber a expansão agrícola da cafeicultura na região e a grande quantidade de produtos químicos utilizados como fertilizantes e defensivos agrícolas nas lavouras. Ao mesmo tempo, muitas nascentes estavam sendo desmatadas para o plantio de café.

Também foi observado que outras regiões produtoras de café já avançavam através de novas técnicas e inovações no setor cafeeiro, buscando práticas mais sustentáveis e preocupadas com as questões ambientais.

Diante dessa realidade, os parceiros Coopercafé, Credcooper, ACIC — Associação Comercial de Caratinga —, Grupo Sistec e o programa Pescando na Beira do Rio decidiram realizar na região um evento com esse propósito, acrescentando ainda a geração de renda para o produtor rural e a melhoria da qualidade do café.

Com essa parceria nasceu a FECAP — Feira do Cafeicultor e do Produtor Rural da Região de Caratinga —, uma feira comercial voltada para o café, mas com um olhar atento às questões ambientais, fortalecendo o pacto ambiental e ampliando as ações para outros municípios ao redor de Caratinga.

A FECAP aconteceu em formato bienal:

  • 1997 — primeira edição, realizada na Praça da Estação;
  • 1999 — segunda edição;
  • 2001 — terceira edição;
  • 2004 — última edição.

A FECAP não apenas trouxe para a região uma mudança no comportamento do produtor de café, mas também promoveu novas formas de consumo e incentivou boas práticas ambientais.

A partir desse evento e da experiência adquirida ao longo de suas edições, a equipe ganhou ainda mais força com a chegada de importantes parceiros, como Wask de Moraes, o produtor rural Joaquim Marques e o comerciante Zenildo.

O crescimento da equipe abriu novas perspectivas e portas para a realização de outros projetos e eventos na região.

1996
1996

Pacto pelo Meio Ambiente.

O programa Pescando na Beira do Rio começou a perceber que seus parceiros estavam dispostos a ir muito além de apenas assistir ao programa. Com esse pensamento, reunindo diversas pessoas e instituições da sociedade, foi possível construir um Pacto Municipal pelo Meio Ambiente da cidade de Caratinga.

O principal objetivo do pacto era enxergar, de forma coletiva, todos os problemas relacionados às questões ambientais que estavam sendo negligenciadas, como:

lixo;

esgoto;

desmatamento;

queimadas;

poluição dos rios;

uso inadequado da agricultura;

aplicação indiscriminada de produtos químicos nas lavouras de café;

construções em áreas destinadas à preservação ambiental.

Entre as instituições que aderiram ao pacto estavam:

Programa Pescando na Beira do Rio;

IEF;

Prefeitura Municipal de Caratinga;

Estação Biológica de Caratinga;

Polícia Florestal de Minas Gerais;

Promotoria Pública;

6ª Superintendência Regional de Ensino;

Sindicato Rural de Caratinga;

FUNEC;

EPEP;

Faculdade de Leitões;

EMATER;

COPASA;

CEMIG;

IMA;

ACIC — Associação Comercial de Caratinga;

CDL;

Clubes de serviço, como Orbis, Lions, Rotary e lojas maçônicas;

Sindicato dos Trabalhadores Rurais;

Câmara Municipal de Caratinga;

CODEMA — Conselho de Defesa do Meio Ambiente de Caratinga.

Coube à equipe Beira do Rio acompanhar e divulgar, através da televisão e do programa, as ações desenvolvidas pelo pacto.

Além disso, a equipe produziu uma revista infantil para ser distribuída nas escolas urbanas durante palestras e ações educativas. A revista trazia em sua capa a mensagem: “SOS Rio Caratinga — O Rio Caratinga pede socorro.”

1994
1994

Beira do Rio

Preocupado com a situação em que se encontrava o Rio Caratinga no início dos anos 90, nasceu o programa de televisão Pescando na Beira do Rio, com foco na preservação do que ainda restava do maltratado Rio Caratinga.

A proposta do programa era provocar discussões e fazer as pessoas olharem para o rio que existia naquele momento, relembrando também o rio que existia no passado. Era um convite para enxergar e prestar atenção na pouca água que ainda insistia em passar pelo leito do rio, carregando sujeira e esgoto doméstico.

Nesse cenário, em que grande parte da população de Caratinga não conseguia enxergar o Rio Caratinga como um parceiro da natureza, surgiu o programa da TV Sistec, afiliada à TV Cultura MG, apresentado pelo ambientalista Pedro Paulo.

O programa semanal passou a levar aos telespectadores da região um novo olhar ambiental. Aos poucos, foi ganhando visibilidade e mostrando que o Rio Caratinga não estava perdido, que ainda possuía amigos e um grande potencial para ser explorado de forma sustentável.

O rio era responsável por levar embora a sujeira e receber as águas das chuvas vindas de seus afluentes, desempenhando um papel fundamental para a vida da região.

Com o passar do tempo, o programa passou a mostrar também outras belezas naturais pelo Brasil. Já nos primeiros anos de existência, apresentou imagens do Rio São Francisco, Rio Grande, Rio das Velhas, Rio Doce, Lagoa Silvana, entre outros locais de grande importância ambiental.

Preocupado com a pesca predatória, que tinha como consequência a matança indiscriminada de peixes, independentemente do tamanho, e contribuía para o desaparecimento de várias espécies, o programa iniciou uma campanha estadual em defesa da preservação dos peixes e da prática de “pescar e soltar”.

A proposta incentivava o pescador a viver a emoção da pesca e o contato com o peixe, mas devolvendo-o à água após a captura, permitindo sua reprodução e garantindo que outros pescadores também pudessem viver a mesma experiência. Mais tarde, essa prática passou a ser conhecida como pesca esportiva.

Em 1995, o programa dedicou-se a levar turistas do Leste de Minas Gerais para conhecer as belezas do Pantanal e suas riquezas ambientais, além de difundir a pesca esportiva entre os pescadores que frequentavam a região.

Em outra frente, o programa acompanhou de perto a descoberta da cidade de Bonito e ajudou na divulgação de um modelo de turismo sustentável.

O programa Pescando na Beira do Rio levou mais de 500 turistas para conhecer o Pantanal e a cidade de Bonito. Foi um período difícil, marcado por estradas de terra, muitos atoleiros durante as chuvas e muita poeira na seca, por onde passavam as antigas comitivas de boiadeiros.

No final dos anos 90, com boa parte das estradas já asfaltadas e ônibus mais confortáveis, o programa recebeu uma homenagem do Hotel Pesqueiro da Odila por alcançar a marca de 250 turistas levados ao hotel, localizado em Corumbá, no Mato Grosso do Sul.

O programa também se destacou na questão ambiental regional, criando eventos voltados ao meio ambiente e envolvendo crianças, formando assim um grupo de amigos que posteriormente se transformou em uma associação em defesa do Rio Caratinga.

Além disso, teve forte participação na construção coletiva do Comitê do Rio Caratinga, com atuação em várias regiões de Minas Gerais, especialmente no Triângulo Mineiro, em toda a Bacia do Rio Doce e no norte do Espírito Santo.

Sempre em busca de trazer novidades e riquezas culturais e ambientais para a região, o programa realizou gravações na Europa — especialmente na Itália, mostrando a recuperação ambiental do Rio Pó —, além do Arquipélago de Fernando de Noronha e dos Estados Unidos, onde foram produzidas reportagens sobre o Rio Colorado, Rio Tennessee, Grand Canyon, Los Angeles e o Pantanal Americano de Everglades, na Flórida.

Em 1997, a equipe Beira do Rio realizou um convênio com um programa americano para intercâmbio de imagens. A parceria resultou em uma série de gravações em território americano e trouxe ao Brasil o apresentador e pescador Bruce Frajor para conhecer o Pantanal e a região de Caratinga.

Entretanto, foi triste e constrangedor apresentar o Rio Caratinga diante da enorme quantidade de lixo urbano despejado diretamente no rio pelo poder público municipal. As imagens chocaram o apresentador americano, que não conseguia entender como um país com a beleza natural do Pantanal poderia permitir a degradação de mananciais como o Rio Caratinga.

No início dos anos 2000, o programa ganhou novo impulso com a chegada da jornalista Zaira de Andrade Paiva, que passou a dividir a apresentação ao lado de Pedro Paulo.

Com essa nova fase, o programa ampliou sua visão e fortaleceu parcerias, entre elas uma colaboração com o programa Globo Ecologia, produzindo uma série sobre a Bacia do Rio Doce e a Bacia do Paraíba do Sul.

Com o passar dos anos, o programa transformou-se em uma verdadeira vitrine ambiental, levando à televisão temas, debates, projetos e ações voltadas à preservação ambiental para milhares de pessoas.

A sociedade passou a acompanhar semanalmente, através do programa, as ações ambientais desenvolvidas na região.

Depois de muitos frutos colhidos e mais de 700 programas exibidos, a equipe do Beira do Rio entendeu que era hora de encerrar esse ciclo e cuidar dos novos projetos que estavam nascendo, entre eles o Clube Capixaba — um sonho ainda maior, cercado de desafios e novas responsabilidades.